Esta página é sobre um livro só: o Vol. 1 de Fundamentos de Matemática Elementar, de Gelson Iezzi e Carlos Murakami. A gente explica o que você realmente encontra dentro dele, por que ele não é um curso completo de matemática e em que situação ele é a melhor porta de entrada — e em quais não é.
Como avaliamos este livro
Não avaliamos este livro pelo que a capa promete, e sim por três perguntas: (1) o escopo declarado no próprio título corresponde ao que o leitor de ‘matemática do zero’ espera encontrar? (2) o formato aguenta estudo autodidata, sem professor por perto? (3) o volume de páginas é proporcional ao assunto tratado ou é enchimento? Descartamos qualquer afirmação sobre conteúdo que não esteja nos dados bibliográficos confirmados — não descrevemos capítulos, quantidade de exercícios nem gabaritos que não pudemos verificar. Também não avaliamos preço, porque preço de didático oscila demais para servir de critério.
O que você vai aprender
O bloco de conjuntos e funções — a base que sustenta praticamente tudo que vem depois em matemática de ensino médio e no primeiro ano de exatas. É o vocabulário mínimo (pertinência, união, interseção, domínio, imagem, tipos de função) sem o qual nada de análise, cálculo ou estatística faz sentido depois.
Para quem é
Quem está retomando matemática e precisa fechar a base de conjuntos e funções antes de qualquer outra coisa: pré-vestibulando, quem vai prestar concurso com matemática no edital, calouro de exatas que chegou na faculdade sem base, e o autodidata disciplinado que estuda em sessões regulares em vez de ler no ônibus.
Para quem NÃO é
Não é para quem quer UM livro que ensine matemática inteira. O título já entrega o limite: este volume é ‘Conjuntos e Funções’ — aritmética, geometria, trigonometria e o resto simplesmente não estão aqui. Também não é para quem procura leitura leve de divulgação matemática, do tipo que se lê na cama sem resolver nada: aqui, se você não fizer exercício, não aprende. E não é para quem precisa de linguagem de conversa, com analogias e piadas — o texto é de didático clássico brasileiro, seco e formal. Quem detesta esse tom vai travar na página 20.
Nossa análise
A primeira coisa a entender é que este não é um livro, é uma peça de um sistema de estudo. O ‘Vol. 1’ no título não é decoração: você está comprando a porta de entrada de uma coleção organizada por tópico, e este volume cobre exatamente um recorte — conjuntos e funções. Isso é uma virtude, não um defeito, desde que a expectativa esteja calibrada: 410 páginas dedicadas a um único bloco temático significam espaço para desenvolver o assunto com calma, com exemplos e treino, em vez das quinze páginas apressadas que o mesmo conteúdo recebe num compêndio ‘matemática completa’. Quem chega aqui achando que vai sair sabendo matemática do zero ao fim vai se frustrar; quem chega sabendo que vai sair sabendo funções de verdade vai ficar bem servido. O segundo ponto é o método. Iezzi e Murakami escrevem no formato de didático de exatas: definição, exemplo, exercício, repete. Não há esforço de sedução do leitor. Na prática, isso torna o livro excelente como material de trabalho e ruim como leitura de descoberta — a diferença entre um autodidata que avança e um que abandona no capítulo dois é quase sempre a disposição de resolver os exercícios em vez de ler as soluções. Se você tem essa disciplina, o formato é uma vantagem: dá para medir progresso objetivamente, por exercício resolvido, coisa que livro conversado não permite. A nota 8.7 sai desse cálculo: perde décimos pela aridez do texto, que é um filtro real para quem está voltando a estudar depois de anos e precisa de algum acolhimento inicial, e pelo escopo estreito, que obriga o leitor a planejar a continuação. Ganha muito pela profundidade dentro do recorte, pela estrutura previsível — que é o que permite estudar sozinho sem se perder — e pela edição amadurecida: esta é a 9ª edição, publicada pela Atual em 2013, ou seja, um material que passou por muitas revisões e não é experimento editorial. Sobre por onde começar: se o objetivo é vestibular ou concurso, começar pelo Vol. 1 é o caminho certo, porque funções aparecem em quase toda questão de outro tópico. Se o objetivo é reforço geral de um assunto específico que não é função, este volume não é sua prioridade e comprá-lo primeiro é gastar tempo no lugar errado.
Veredito
Vale o tempo de leitura — com uma condição. Se você aceita que está adquirindo um curso de conjuntos e funções, e não ‘a matemática toda’, este é um investimento de estudo dos melhores que existem em português: 410 páginas sobre um único bloco, numa 9ª edição já lapidada, é o tipo de material que suporta ser estudado duas vezes. A gente recomendaria sem hesitar para pré-vestibulando, concurseiro e calouro de exatas com base fraca. Não recomendaríamos para quem quer reaprender matemática de forma prazerosa e sem compromisso: para esse leitor, o texto formal e a dependência de exercícios vão parecer punição, e o livro vira enfeite de estante. O critério é simples e honesto: se você não vai pegar papel e lápis, não compre.
O Leitor Esperto pode receber comissão por compras feitas a partir de links desta página, sem custo adicional para você. Isso não influencia nossas avaliações: quando um livro tem limitação de escopo, tom ou público, dizemos — como dissemos aqui.