Esta página é sobre um livro só: English Grammar in Use, de Raymond Murphy, na 4ª edição publicada pela Cambridge University Press em 2013. A gente explica como o livro está organizado, o que ele realmente resolve no seu inglês e em que situação ele vira peso morto na estante.
Como avaliamos este livro
Avaliamos este livro pelo uso que ele foi feito para ter: material de consulta e prática de gramática, não leitura corrida. Olhamos três coisas. Primeiro, a estrutura — o formato de unidades com explicação e exercícios frente a frente, que define o ritmo de estudo. Segundo, a densidade real: são 396 páginas, e isso muda completamente a expectativa de quem imagina terminar o livro em um mês. Terceiro, o nível declarado (intermediário) contra o nível de entrada que ele exige de fato do leitor brasileiro. Não avaliamos por popularidade nem por número de vendas, e não comparamos com outros títulos aqui — comparação é assunto da nossa lista do cluster.
O que você vai aprender
Gramática inglesa de nível intermediário, tratada ponto a ponto: cada unidade isola uma estrutura, explica o uso e cobra prática imediata. O ganho concreto é precisão — você para de escolher tempo verbal no chute e passa a saber o que está dizendo. É um livro que conserta o inglês já existente muito mais do que constrói um do zero.
Para quem é
Para quem já tem base — entende um texto simples, arranha uma conversa — e trava na hora de escolher o tempo verbal certo, usar preposição ou montar frase condicional. Também é excelente para quem estuda por conta própria e precisa de um material que funcione sem professor ao lado, e para quem faz curso mas quer uma referência para consultar quando a dúvida aparece no meio da semana.
Para quem NÃO é
Não é para quem está começando do zero. O livro é escrito em inglês, explica gramática inglesa em inglês, e quem não consegue ler a explicação vai só copiar respostas sem entender por quê. Também não serve para quem quer conversação: ele não treina fala, pronúncia nem escuta. E não serve para quem tem pressa — 396 páginas de gramática não se atropelam em duas semanas, e quem tenta abandona no meio.
Nossa análise
O grande acerto do Murphy é o formato. O livro é dividido em unidades curtas, e cada unidade ocupa duas páginas: explicação de um lado, exercícios do outro. Isso resolve o problema clássico do material de gramática, que é o leitor ler três capítulos seguidos, achar que entendeu e não conseguir aplicar nada. Aqui você não avança sem praticar. E porque as unidades são independentes, o livro funciona nas duas direções: dá para estudar em sequência, do começo ao fim, ou usar como manual de consulta — bateu dúvida com present perfect, você vai direto na unidade e resolve em quinze minutos. O ponto que mais gera frustração é o nível. Está classificado como intermediário e é intermediário de verdade, não intermediário de propaganda. O livro é integralmente em inglês, sem português como muleta. Quem chega nele achando que vai aprender inglês começando por ali descobre rápido que o material pressupõe leitura funcional do idioma. Esse é o filtro real: se você consegue ler as explicações, o livro é ouro; se não consegue, ele vai virar culpa na estante. A outra coisa a encarar com honestidade é o volume. São 396 páginas nesta 4ª edição da Cambridge University Press, publicada em 2013. Isso não é um livro de fim de semana — é um projeto de meses, feito de sessões curtas e regulares. Quem trata assim colhe muito. Quem tenta maratonar cansa na primeira dezena de unidades e conclui, injustamente, que o problema era o livro.
Veredito
Vale o tempo, e vale muito — desde que você chegue nele no momento certo. Nossa recomendação é direta: se você já lê inglês razoavelmente e sua queixa é ‘eu entendo, mas erro na hora de falar e escrever’, compre e estude uma unidade por dia útil. Em alguns meses seu inglês fica visivelmente mais preciso, e o livro continua útil depois como consulta permanente. Se você ainda não lê explicações em inglês sem tradutor, adie: não é que o livro seja ruim para você, é que ele foi escrito para um leitor que você ainda não é. Voltar aqui daqui a seis meses de base vai render dez vezes mais do que insistir agora.
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